O fluxo
Fiz uma série de imagens me utilizando do vidro da janela de um carro. Dei-lhe o nome "Fluxo".
Estacionado numa rua com várias construções históricas interessantes, pretendi captar justamente o fluxo de pessoas (tal qual pretendido aqui).
A opção de fazê-lo com o as construções históricas como plano de fundo surge de um trabalho que venho realizando em paralelo. Trato das questões do urbano, especialmente em um centro histórico.
Nas fotografias em sequência, as quais transformei em um pequeno stop-motion, as pessoas transitam, indefinidas, neste espaço histórico, físico, que existe e sobrevive ao tempo. E o transitar das pessoas traz justamente a ideia de passagem, de efemeridade. O espaço apresentado como suporte, embora no presente, se mostra carregado de uma história que remonta ao passado.
E é nesse diálogo entre os tempos do tempo, entre o fluxo e a estaticidade (ou estati-cidade), onde me apoio pra trazer uma reflexão acerca deste cotidiano no qual eu também estou inserido, do qual também faço parte e atuo enquanto indivíduo.
O livro
Aqui, remonto a irrefreável necessidade de trazer algum traço da existência desse eu que se encontra no espaço físico, mas também neste espaço virtual, no qual o fluxo de informações/pessoas é intenso e contínuo. Relacionar o espaço físico, histórico, com este espaço virtual, tecnológico e cada vez mais presente, é uma forma de rever e refletir o meu papel ante a este embate: como conciliá-los? Como percebê-los? É necessário/possível dissociá-los?
A composição surgiu por acaso: sentado de costas para a janela do meu quarto, ao desligar a luz do notebook, um espelho surgiu pra mim. Ao meu lado, um pequeno dicionário. Resolvi pegar a câmera, por impulso, e tirar algumas fotografias. Uma a uma, criei uma narrativa brincando com o Facebook, o que traduziria, neste contexto, com "cara no livro". Falo do livro de ideias, do livro da vida, do livro acadêmico, das palavras inscritas e escritas neste "oráculo da contemporaneidade".
Para enfatizar a relação entre os dois mini-vídeos, pretendo trabalhá-los utilizando a dupla exposição.
Desta forma, acredito, os conceitos de trânsito e presença poderão confluir e apresentar a minha proposta de trabalho artístico.
Como me vejo?
Eu me vejo?
Como me situo neste espaço?
Como eu me desloco neste espaço?
Estou atento a este espaço?
Obs: Há tempos venho tentando inserir versos nas fotografias, mas ainda me encontro em conflito com essa relação texto-imagem.
Pretendo solucionar isto já nos próximos trabalhos. Também, vou fechar o quadro nas fotografias do livro.

