A chuva é, talvez, minha maior aliada neste processo de criação.
O clima baiano nesta região tem favorecido bastante a elaboração de novas composições.
Estive, durante o período de 21 a 28 de Julho, no Encontro Nacional de Estudantes de Design, o NDesign, sediado em Salvador.
Choveu bastante durante este período, não há como não citar.
A produção fotográfica deveria continuar e, com a câmera na mão, caminhando no alojamento, vi várias poças d'água formadas e não podia ignorá-las. Neste dia, no entanto, não pretendia fotografar para o blog, mas foi inevitável.
Despreocupado, avalio algumas das poças e vejo a possibilidade de captar algo.
A priori, a ideia era captar um fluxo de pessoas indefinidas pelo reflexo. O tempo era curto pois eu tinha que seguir para as atividades do evento.
A seguir, algumas imagens selecionadas para o laboratório de imagens em aula:
Na terceira imagem, posicionei-me tal qual a escultura "O Pensador", de Rodin, sem um objetivo maior para a imagem. Não era minha proposta suscitar algo de especial com ela, mas acabei gostando da composição. Solicitei a uma colega que tirasse a foto seguindo exatamente o enquadramento que julguei ser interessante. Nota-se, nas três imagens, minha predileção pela regra dos terços.
É em outro momento, no entanto, que o trabalho se estrutura dentro de um conceito específico.
Observem as imagens a seguir:
Mais uma vez, em um "acaso planejado", observei a poça d'água e vi a cadeira ali, um lugar não ocupado, um "não-lugar" onde a presença não se fazia presente. Pedi que minha namorada tirasse a segunda imagem, na qual me encontro sentado.
Surge, então, a minha relação com a presença nas fotografias. De alguma forma, sentira-me inquieto em não me fazer presente no quadro. Talvez por isso eu tenha me posicionado como "O Pensador", como nas primeiras imagens.
A cadeira vazia surge, no reflexo, como uma reflexão acerca de um espaço, de um lugar, aqui tomado como algo a ser ocupado, presenciado. Destaco e isolo somente a cadeira, centrando-a no quadro, com o intuito de torná-la universal, de se tornar um lugar que não é exclusivamente meu.
Quando me posiciono na imagem, a intenção não é retratar o Kelvin, mas o ser, o indivíduo, que pode ser qualquer um.
Para a aula seguinte, a professora recomendou que eu me centrasse na criação de imagens em sequência. Trarei os resultados em breve.
Até a próxima.
Muita luz! E cliques!
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